O periquito e a doninha
Um homem comprou um periquito e deixou-o solto a brincar pela casa. E ele, que era domesticado, foi num salto pousar sobre a lareira e lá ficou, alegre, a papagaiar. Então uma doninha o viu e indagou quem era ele e de onde viera. “O dono me comprou há pouco”, respondeu ele. “Ora, ora, seu bicho atrevido”, disse ela, “você, que é novo aqui, ousa estrilar desse jeito, enquanto eu, que nasci nesta casa, não tenho liberdade; ao contrário, se alguma vez me atrevo a fazer isso, os donos me enxotam, enfezados. E você ousa sem temor algum expressar-se livremente!” E o periquito retrucou: “Sai prá lá, dona da casa! É que a minha voz não causa aos donos tanto incômodo como a sua!”.
Para homem maldoso, que se põe a jogar sempre a culpa nos outros.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 422