Fedro 4.18

Sobre a sorte dos homens

Como um sujeito se queixava de sua sorte,

Esopo inventou isto para consolá-lo.

Uma nau, sacudida por cruéis tempestades,

entre as lágrimas dos passageiros e o medo da morte,

assim que o dia muda repentinamente para uma face serena, 5

começou a ser levada em segurança por sopros favoráveis

e a animar os marinheiros com uma demasiada alegria.

Então o piloto, tornado sábio pelo perigo:

“Convém alegrar-se com parcimônia e queixar-se com moderação,

a dor e a alegria misturam de modo igual a vida inteira”. 10

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 274

Os navegantes

Um grupo de pessoas entrou num barco e saíram navegando. Quando estavam em alto-mar, veio uma tempestade descomunal e por pouco o navio não soçobrou. Então, um dos navegantes se pôs a rasgar suas vestes e a invocar, entre soluços e gemidos, os deuses pátrios, prometendo dedicar-lhes oferendas de ação de graças, caso eles o salvassem. Mas, assim que cessou a tempestade e retornou a bonança, eles se entregaram à algazarra, dançando e pulando, já que estavam livres do perigo inesperado. E o piloto, que se mantinha cauteloso, disse: “Nós temos que comemorar, amigos, mas sem esquecer que, se calhar, a tempestade ocorrerá novamente”.

A fábula ensina a não nos apegarmos demasiado nos sucessos, tendo em mente a inconstância da fortuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 389