Fedro 1.31

O gavião e as pombas

Quem confia a própria defesa a um homem ímprobo,

buscando proteção, encontra a ruína.

Como as pombas tivessem muitas vezes fugido do gavião

e evitado a morte graças à rapidez de suas asas,

o rapinador mudou seu plano para a astúcia 5

e enganou a espécie indefesa com o seguinte dolo:

“Por que preferis levar uma vida cheia de preocupação

em vez de, firmada uma aliança, me nomear vosso rei,

para que, seguras, eu vos proteja de toda injúria?”

Elas, confiantes, se entregam ao gavião; 10

este, tendo obtido o reino, começou a comê-las uma a uma

e a exercer a autoridade com suas cruéis garras.

Então uma das que restavam: “Merecidamente somos punidas.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 131

A formiga e a pomba

Uma formiga sedenta desceu a uma fonte para beber, mas começou a afogar-se. Então, uma pomba, pousada numa árvore ao lado, arrancou um galhinho e lançou-o na água. A formiga subiu nele e salvou-se. Mais tarde, um caçador de passarinhos parou ali e, no desejo de apanhar a pomba, montou seus caniços com visgo. Então a formiga veio e deu uma mordida no pé do caçador. Ele se desequilibrou, sacudiu os caniços e, como resultado, a pomba fugiu e se salvou.

Também os pequenos gestos podem trazer grandes retornos aos benfeitores.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 199

Esopo 134

O gaio e as pombas

Ao ver pombas bem tratadas num pombal, um gaio se branqueou e foi participar do modo de viver delas. E, enquanto ficava em silêncio, as pombas o aceitavam, crentes de que ele era uma delas. Mas no exato momento em que o gaio se distraiu e soltou um grito, elas o enxotaram, pois estranharam a voz. E ele, sem ter conseguido alimentar-se, voltou novamente para junto dos gaios. Mas eles não o reconheceram por causa de sua cor e o barraram como companheiro de refeição. Desse modo, o gaio, que tinha dois interesses, não alcançou nenhum.

Pois é. Portanto, é nós nos contentemos com nossas posses, preciso que também considerando que a ambição, além de não servir para nada, muitas vezes também dissipa nossos bens.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 204

Esopo 286

O passarinheiro e as pombas

Um passarinheiro estendeu as redes e prendeu nelas algumas pombas domésticas. Em seguida, ficou parado a uma certa distância, espreitando o que ia acontecer. Assim que algumas pombas agrestes chegaram perto e se enroscaram nos laços, ele correu para apanhá-las. Então elas culparam as pombas domésticas, dizendo que essas, mesmo sendo suas irmãs de raça, não as alertaram da armadilha. E aquelas, em resposta, disseram: “Mas é melhor nos proteger dos patrões do que alegrar nossos parentes!”.

Assim, também, não merecem censura os servos que, por afeição aos patrões, põem de lado a consideração pelos próprios parentes.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 407

Esopo 306

A pomba e a gralha

Uma pomba criada em pombal se gabava de sua fertilidade. Então uma gralha, ao ouvir suas palavras, disse: “Mas pare com essa gabolice, minha cara, pois quanto mais filhotes você tiver, maior número de escravos terá que deplorar”.

Assim, também, dentre os servos, os mais desafortunados são os que geram filhos na escravidão.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 429

Esopo 307

A pomba sedenta

Uma pomba, premida pela sede, viu uma vasilha de água desenhada num quadro. Pensando que fosse de verdade, precipitou-se com muito estardalhaço e, quando se deu conta, havia se chocado contra o quadro. Deu-se, então, que as bordas de suas asas se quebraram e ela caiu no chão, sendo, em seguida, apanhada por uma pessoa que estava por ali.

Assim, alguns homens que, movidos por um violento desejo, empreendem tarefas imprevidentemente encaminham-se à perdição.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 431