Esopo 308

A porca e a cadela

Uma porca e uma cadela se desentenderam e estavam num bate-boca. A porca jurava por Afrodite que, se a cadela não parasse, iria rasgá-la a dentadas. E a cadela dizia que a porca não estava fazendo a coisa certa, pois Afrodite a odiava, a ponto de não deixar entrar em seu templo uma pessoa que tivesse comido carne de porco. Então a porca deu o troco: “Sua chata! Não é por ódio que ela age assim comigo, mas por cuidado, para que ninguém me mate!”.

Assim, os oradores vezes convertem em avisados muitas elogios os insultos proferidos pelos adversários.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 432

Esopo 309

A porca e a cadela [disputando fertilidade]

Uma porca e uma cadela estavam discutindo para ver quem era mais fértil. E quando a cadela disse que era a única dentre os quadrúpedes a ter uma gestação curta, a porca retrucou: “Mas, ao dizer isso, reconheça que suas crias nascem cegas!”.

A fábula mostra que as tarefas devem ser julgadas não pelo tempo despendido, mas pelo bom acabamento.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 433