Esopo 316

As rãs que procuravam água

No verão, quando o brejo secou, duas rãs que nele viviam saíram à procura de outro. Quando encontraram um poço fundo, uma propôs à outra que saltassem nele. Esta respondeu: “Mas se este poço também secar, como vamos sair?”.

A fábula mostra que não devemos nos lançar irrefletidamente às tarefas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 446

Esopo 317

As rãs vizinhas

Duas rãs moravam vizinhas, uma num brejo fundo e afastado da estrada, a outra numa pequena poça no meio da passagem. E a que morava no brejo estimulava a outra a mudar-se para junto dela, pois desfrutaria de uma vida melhor e mais segura. Mas aquela não se deixava convencer, dizendo que não era fácil deixar o lugar de hábito. Até que, um dia, uma carroça passou ali e a esmagou.

Assim, também, os homens que se prendem a ocupações mesquinhas perecem logo, antes mesmo de se voltarem para ocupações mais nobres.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 447

Esopo 335

O rato e a rã

Um rato da terra teve o azar de fazer amizade com uma rã. Decidida a praticar maldade, a rã amarrou a pata do rato à sua própria e lá foram os dois, primeiro ao campo, para comer trigo, e a seguir chegaram à beira da lagoa. Então, a rã empurrou o rato para o fundo, enquanto ela própria se escarrapachava na água berrando seus coax-coax-coax. O pobre rato acabou morrendo, cheio de água, e ficou boiando, amarrado ao pé da rã. Foi então que um milhafre o avistou e, com as garras, apanhou-o. E a rã, presa que estava a ele, seguiu junto, tornando-se, ela também, manjar para o milhafre.

[A fábula mostra] Que mesmo quem está morto tem força para vingar-se, pois a justiça divina supervisiona tudo e retribui o equivalente a cada ação, pesando-a na balança.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 474

Esopo 347

O Sol e as rãs

Era verão e celebravam-se as núpcias do Sol. Todos os animais congratulavam-se com isso, e também as rãs se regalavam. Então, uma delas disse: “Suas bestas, com que vocês se regalam? Se o Sol, sozinho, já faz secar todo o brejo, que desgraça não iremos sofrer se, depois de casado, ele tiver um filhote igual a ele?”.

[A fábula mostra] Que muitas pessoas de espírito leviano se engraçam com o que não tem graça.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 491

Esopo 371

A víbora e a cobra-d’água

Uma víbora ia regularmente beber numa fonte. Então, uma cobra-d’água, que morava na fonte, tentava impedi-la, indignada porque a outra, não contente com seu próprio território, também avançava no dela. E, como a desavença aumentava, elas resolveram que iriam às vias de fato e que os dois espaços, o da terra e o da água, seriam do vencedor. Marcado o dia, as rãs, que detestavam a cobra-d’água, procuraram a víbora para encorajá-la e prometeram que também combateriam ao lado dela. Quando o combate começou, a víbora se pôs a lutar contra a cobra-d’água e saiu vencedora, apesar de as rãs não terem feito outra coisa além de soltar gritos. Mesmo assim, a víbora as recriminou, porque elas haviam prometido atuar no combate como aliadas e, no entanto, além de não a terem socorrido, ainda por cima ficaram cantando. Então, as rãs disseram: “Mas você esteja certa de que nossa aliança consiste não em mãos, mas apenas em sons!”.

A fábula mostra que, lá onde há necessidade de mãos, de nada adianta a ajuda de palavras.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 527