Esopo 335

O rato e a rã

Um rato da terra teve o azar de fazer amizade com uma rã. Decidida a praticar maldade, a rã amarrou a pata do rato à sua própria e lá foram os dois, primeiro ao campo, para comer trigo, e a seguir chegaram à beira da lagoa. Então, a rã empurrou o rato para o fundo, enquanto ela própria se escarrapachava na água berrando seus coax-coax-coax. O pobre rato acabou morrendo, cheio de água, e ficou boiando, amarrado ao pé da rã. Foi então que um milhafre o avistou e, com as garras, apanhou-o. E a rã, presa que estava a ele, seguiu junto, tornando-se, ela também, manjar para o milhafre.

[A fábula mostra] Que mesmo quem está morto tem força para vingar-se, pois a justiça divina supervisiona tudo e retribui o equivalente a cada ação, pesando-a na balança.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 474

Esopo 336

Os ratos e as doninhas

Os ratos e as doninhas viviam em guerra, mas sempre eles é que saíam derrotados. Os ratos fizeram uma reunião e concluíram que estavam perdendo porque não tinham chefes. Então, selecionaram alguns candidatos e, levantando a mão, elegeram seus generais. E estes, no intuito de se destacarem dos outros, arrumaram chifres e passaram a usá-los. Quando se instalou a batalha, o que aconteceu foi que os ratos iam sendo derrotados. Mas, enquanto alguns se refugiavam em buracos onde entravam com facilidade, os generais, impedidos de entrar por causa dos chifres, foram apanhados e devorados.

Assim, para muitos, a vanglória torna-se causa de males.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 475