Fedro 4.1

O burro e os sacerdotes de Cibele

Quem nasceu infeliz, não só passa a vida triste,

mas também, depois da morte,

o persegue a dura desgraça do fado.

Os sacerdotes de Cibele costumavam conduzir de um lado

para outro para suas esmolas um burro que levava as cargas. 5

Quando esse acabou morrendo do trabalho e das pancadas,

tiraram  seu couro e fizeram tambores para si.

Mais tarde, indagados por um certo sujeito o que eles

tinham feito do queridinho deles, falaram deste modo:

“Ele achava que após a morte estaria seguro: 10

eis que outros golpes se acumulam sobre o morto!”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 127

O eunuco e o sacerdote

Um eunuco foi até um sacerdote e pediu-lhe encarecidamente que realizasse um sacrifício em seu favor, para ele gerar filhos. O sacerdote lhe disse: “Quando me concentro no sacrifício, eu peço por você para ter filhos, mas quando olho para a sua cara, nem homem você parece!”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 192

Esopo 345

Os sacerdotes mendicantes

Um grupo de sacerdotes mendicantes tinha um burro sobre o qual costumavam colocar a bagagem quando saíam pelas ruas. Mas um dia o burro morreu de fadiga. Então, eles o esfolaram; com a pele prepararam tambores e passaram a usá-los. E, quando toparam com outros sacerdotes que lhes perguntaram onde estava o burro, responderam que ele estava morto, mas que levava tanta pancada como não tinha levado antes, em vida.

Assim, também, alguns servos, mesmo que se livrem da escravidão, não se desembaraçam dos encargos servis.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 487