Fedro 4.8

A serpente para o ferreiro

Quem com dente maldoso ataca a um mais mordaz,

sinta-se representado neste enredo.

Uma víbora veio à oficina de um ferreiro.

Ela, vasculhando se havia alguma coisa de comer,

mordeu uma lima. Esta, resistente, em resposta 5

diz: “Por que, sua tola, buscas ferir-me com teu dente,

a mim, que estou habituada a roer todo tipo de ferro?”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 4.20

A serpente nociva para o misericordioso

Quem leva ajuda aos maus, depois de um tempo sofre.

Um sujeito pegou do chão uma cobra enrijecida pelo gelo

e a aquece no regaço, ele próprio misericordioso contra si;

pois, assim que ela se refez, matou o homem imediatamente.

Como uma outra lhe perguntasse a causa da má ação, 5

respondeu: “Para ninguém aprender a ser útil aos malvados”.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 19

O assassino

Um assassino pôs-se a fugir, perseguido pelos parentes da vítima. Ao chegar às margens do rio Nilo, um lobo investiu contra ele. Apavorado, subiu numa árvore e se escondeu ali, quando avistou uma serpente avançar em sua direção. Deixou-se, então, cair no rio e foi devorado por um crocodilo.

A fábula mostra que para homens malditos não há lugar seguro nem na terra, nem no ar, nem na água.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 56

Esopo 28

O bigato e a serpente

[Havia uma figueira à beira do caminho.] Um bigato avistou uma serpente dormindo e ficou com inveja de seu tamanho. No desejo de igualar-se a ela, ele se colocou a seu lado e foi tentando esticar-se até que, sem se dar conta, passou dos limites e arrebentou-se.

Isso é o que acontece com os que se indispõem contra os superiores. Eles próprios se arrebentam muito antes de conseguir atingi-los.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 67

Esopo 259

O milhafre e a serpente

Um milhafre pilhou uma serpente e saiu voando. Ela, no entanto, se voltou e lhe deu uma picada. Ambos despencaram do alto. O milhafre estava morto, mas a serpente lhe disse: “Que loucura foi essa? Você quis prejudicar os que não lhe fazem nenhum mal? Contudo você recebeu, pelo rapto, uma justa punição!”.

[A fábula mostra] Que uma pessoa que se entrega à cobiça e comete injustiça contra os mais fracos, quando menos espera, lança-se contra um mais forte e, então, pagará também os males que praticou anteriormente.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 370

Esopo 346

A serpente e a águia

Fábula da águia e da serpente, exortando-nos a tomar a iniciativa de prestar favores.

Uma serpente e uma águia estavam engalfinhadas, lutando uma com a outra, quando a serpente se enlaçou na águia, prendendo-a. Um lavrador, ao ver a cena, desenrolou a serpente e deixou a águia ir embora livremente. Ressentida com isso, a serpente verteu veneno na água do salvador da águia. Mas quando o lavrador, descuidado, estava para beber a água, a águia fez um voo rasante e derrubou a taça das mãos dele.

A gratidão permanece à espera dos que fazem o bem.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 490