Esopo 23

O avarento

Um avarento vendeu todos os seus bens e transformou-os numa barra de ouro. Em seguida, enterrou-a diante do muro e depois passou a ir lá constantemente examiná-la. Mas um servo seu que se encontrava nos arredores ficou atento às suas idas e vindas e, ao atinar com o que se passava, aproveitou o momento em que o patrão estava distante para desenterrar a barra e roubá-la. E o avarento, quando retornou e encontrou o buraco vazio, começou a chorar e a arrancar os cabelos. Então uma pessoa que o viu, ao saber do motivo daquele sofrimento exagerado, disse: “Não se desespere assim, companheiro! Trate de pegar uma pedra, depositá-la no mesmo lugar do ouro e fazer de conta que é seu tesouro! Ela terá, para você, a mesma serventia. Pois, quando havia o ouro, você não tirava dele nenhum proveito!”.

A fábula mostra que de nada vale a riqueza se a utilidade não a acompanha.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 60