Bábrio 1.24

O Sol e as rãs

As núpcias do Sol estavam ocorrendo no verão.

Os animais organizavam para o deus alegres festejos

e nos charcos também as rãs dirigiam coros.

Interrompendo-as, disse-lhes um sapo: “Não é de peãs

o momento que vivemos, e sim de cuidados e de aflição. 5

Pois ele, que é um só, já resseca todo o brejo,

que males não sofreremos se, depois de casado,

procriar um filhote igual a si?”

Muitas pessoas levianas em excesso se alegram

com coisas que não lhes proporcionam alegria alguma. 10

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Fedro 1.6

As rãs para o sol

As concorridas núpcias de um ladrão, vizinho seu,

viu Esopo e, de imediato, começou a narrar:

Como um dia o Sol quisesse casar-se,

as rãs ergueram para os astros uma gritaria.

Movido pelo alvoroço, quis Júpiter saber 5

o motivo da queixa. Então, uma habitante do charco

disse: “Agora um só já seca todos os lagos

e nos obriga a morrer desgraçadas numa árida morada.

O que acontecerá então, se ele gerar filhos?”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 32

Bóreas e o Sol

O vento Bóreas e o Sol, numa disputa para ver quem era o mais forte, decidiram conceder a vitória àquele que fizesse um caminheiro tirar a roupa. Bóreas começou e soprou com violência. E, como o homem continuou com a roupa, reforçou a violência para pressioná-lo mais ainda. O homem, porém, cada vez mais castigado pelo frio, foi se cobrindo com roupas sobressalentes, até que Bóreas, exausto, entregou-o ao Sol. Este, por seu turno, primeiro emitiu um brilho moderado. O homem começou a se despir das roupas sobressalentes. Então, o Sol foi intensificando cada vez mais a ardência até que o homem, não conseguindo resistir ao calor, tirou a roupa e foi tomar banho num rio que corria ao lado.

A fábula mostra que muitas vezes a persuasão é mais eficaz do que a força.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 73

Esopo 347

O Sol e as rãs

Era verão e celebravam-se as núpcias do Sol. Todos os animais congratulavam-se com isso, e também as rãs se regalavam. Então, uma delas disse: “Suas bestas, com que vocês se regalam? Se o Sol, sozinho, já faz secar todo o brejo, que desgraça não iremos sofrer se, depois de casado, ele tiver um filhote igual a ele?”.

[A fábula mostra] Que muitas pessoas de espírito leviano se engraçam com o que não tem graça.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 491