Fedro 5.9

O touro e o novilho

Como um touro, lutando com os chifres numa passagem

estreita, mal pudesse entrar no curral,

um novilho mostrava de que modo ele devia dobrar-se.

“Cala-te”, diz, “sei isso antes de teres nascido”.

Quem corrige um mais sábio considere que isto é dito para si. 5

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 1.21

O velho leão, o javali, o touro e o burro

Todo aquele que perdeu sua antiga dignidade,

é, em sua grave queda, objeto de galhofa até mesmo para os covardes.

Como um leão, enfraquecido pelos anos e privado de suas forças,

jazesse, exalando seu último suspiro,

um javali veio até ele com seus dentes fulminantes 5

e, com um golpe, se vingou de uma antiga ofensa.

Mais tarde um touro perfurou com seus chifres hostis

o corpo do inimigo. Um burro, quando viu a fera

sendo ferida impunemente, quebrou-lhe a fronte com coices.

E ele, morrendo: “Suportei que os fortes indignamente 10

me insultassem; a ti, desonra da natureza,

visto ser eu obrigado a suportar-te, pareço morrer duas vezes.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 1.30

As rãs temendo as brigas dos touros

Os humildes padecem quando os poderosos estão em desacordo.

Uma rã no brejo, vendo uma briga de touros,

diz: “Ai, que grande desgraça nos ameaça!”

Perguntada por outra por que dizia isto,

já que eles disputavam a liderança do rebanho 5

e os bois viviam sua vida longe delas:

“A morada está afastada e a raça é diferente;

aquele que, expulso, fugir do reino dos bosques,

virá para os esconderijos secretos do brejo

e pisará em nós e nos esmagará com sua dura pata. 10

Assim o furor deles tem a ver com a nossa cabeça.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 122

Os escaravelhos

Numa ilhota, pastava um touro, de cujo esterco se alimentavam dois escaravelhos. Quando chegou o inverno, um deles disse ao outro que pretendia voar para o continente e lá passar o inverno; assim, o amigo ficaria sozinho e teria comida suficiente. Também disse que, se encontrasse um pasto fértil, viria trazer-lhe algumas porções. Então ele foi para o continente e lá foi ficando, alimentando-se da fartura de esterco fresquinho. Passado o inverno, voou de volta à ilha e o outro, ao vê-lo muito forte e robusto, recriminou-o por não lhe ter trazido nada, apesar das promessas. Ele respondeu: “Não censure a mim, mas à natureza do lugar, pois de lá era possível retirar comida, mas não era possível levar nada”.

Esta fábula poderia aqueles que cultivam serem convidados as amizades até casar bem com para um banquete, mas, depois disso, não têm nenhuma valia para os amigos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 187

Esopo 208

O leão e o touro

Um leão que tramava contra um touro enorme quis dominá-lo por meio de um ardil. Então, contou-lhe que havia imolado um cordeiro e convidou-o para a refeição, pretendendo dar cabo dele quando estivesse refestelado à mesa. O touro veio e, quando viu vários caldeirões e grandes espetos, mas nada de cordeiro, foi saindo calado. Foi então que o leão se pôs a repreendê-lo e a perguntar-lhe por que motivo ele, que não tinha sido maltratado, estava saindo em silêncio. E o touro respondeu: “Mas não é sem razão que estou fazendo isso! É que estou vendo utensílios preparados não para um cordeiro, mas para um touro”.

A fábula mostra que aos homens prudentes não passam despercebidos os artifícios dos malvados.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 304

Esopo 266

O mosquito e o touro

Um mosquito pousou no chifre de um touro e lá ficou parado por um bom tempo. Quando estava para ir embora, perguntou ao touro se era de seu agrado que ele se fosse. Então o touro respondeu: “Mas nem notei quando você chegou, e tampouco vou notar se você for embora”.

Esta fábula uma pessoa poderia usar para um homem imprestável, cuja presença ou ausência nem ajuda nem atrapalha.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 379

Esopo 352

O touro e as cabras selvagens

Um touro, perseguido por um leão, fugiu para dentro de uma gruta, onde havia cabras selvagens. Enquanto apanhava delas, recebendo chifradas, disse: “Mas eu aguento isso porque tenho medo, não de vocês, mas daquele que está parado na entrada da gruta”.

Assim, muitos homens, de medo dos mais fortes, também suportam as insolências dos mais fracos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 500

Esopo 353

O touro, a leoa e o javali

Um touro encontrou um leão dormindo e matou-o a chifradas. Ao saber disso, a mãe do leão se pôs a pranteá-lo, amargurada. Ao vê-la proferindo os lamentos, um javali, postado à distância, lhe disse: “E o tanto de gente que também está pranteando filhos que vocês, leões, mataram?”.

Esta fábula mostra que uma pessoa será medida com a mesma medida que ela usa para medir os outros.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 501