Esopo 209

O leão e o urso

Um leão e um urso encontraram um filhote de veado e puseram-se a brigar por causa dele. E se agrediram com tal violência que logo sentiram vertigens e caíram prostrados. Então uma raposa que estava chegando ali, ao vê-los inertes, agarrou o filhote, que jazia entre eles, e saiu por entre os dois. E eles, sem condições de levantar, disseram: “Como somos miseráveis! Estávamos nos matando em proveito de uma raposa!”.

A fábula mostra que sofrem com razão as pessoas que veem os frutos obtidos de seus próprios esforços serem levados pelo primeiro que aparece.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 305

Esopo 355

O urso e a raposa

Um urso dizia todo orgulhoso que era amigo dos homens, porque não comia cadáveres. Então, a raposa lhe disse: “Quem dera você esquartejasse cadáveres e não gente viva!”.

Esta fábula recrimina os ambiciosos, que passam a vida na hipocrisia e na presunção.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 505

Esopo 369

Os viandantes e o urso

Dois amigos iam por uma mesma estrada quando, de repente, surgiu diante deles um urso. Então, um subiu depressa numa árvore e lá ficou escondido. O outro, sem ter para onde fugir, caiu no chão e fingiu-se de morto. O urso chegou com o focinho perto dele e se pôs a farejá-lo, enquanto ele, por sua vez, prendia a respiração, pois dizem que esse animal não toca em cadáveres. Depois que o urso foi embora, o amigo que estava na árvore perguntou o que o urso lhe havia cochichado. Então, o outro respondeu: “Que de hoje em diante eu não devo andar em companhia desses amigos que, nas situações perigosas, nos abandonam”.

A fábula mostra que as desgraças põem à prova os amigos sinceros.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 525