Os viajantes e o ladrão
Como dois soldados tivessem deparado com um ladrão,
um fugiu, o outro, porém, ficou
e se defendeu com sua forte destra.
Derrubado o ladrão, o companheiro medroso acorre
e saca da espada; em seguida, jogando a capa para trás, 5
diz: “Deixa comigo; já cuidarei que ele sinta
com quem se meteu”. Aí, o que tinha lutado:
“Quisera eu que, ao menos, me tivesses ajudado com essas palavras;
eu teria sido mais resoluto, julgando-as verdadeiras.
Agora guarda tua espada e tua língua igualmente inúteis. 10
Que possas enganar os outros que te desconhecem;
eu, que constatei com quanto empenho foges,
sei o quanto não se deve acreditar em teu valor”.
Esta história deve ser aplicada àquele
que, numa situação favorável, é valente, numa incerta, é covarde. 15
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.