Esopo 29

O bode e a videira

Enquanto um bode comia os brotos no renovo da videira, esta lhe disse: “Por que você me danifica? Será que não há mais relva? Mesmo assim, fornecerei todo o vinho de que precisarem quando você for imolado”.

Os ingratos e os que querem passar a perna nos amigos, a fábula denuncia.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 70

Esopo 107

A corça e a videira

Uma corça estava sendo perseguida por caçadores e foi se esconder embaixo de uma videira. Ao notar que eles tinham passado reto e já estavam um pouco mais adiante, a corça retrocedeu e começou a comer das folhas da videira. Mas um dos caçadores se voltou e, ao avistá-la, atirou o dardo contra ela, abatendo-a. Prestes a morrer, a corça disse entre gemidos: “Bem feito para mim, pois eu não deveria ter maltratado a videira, minha protetora!”.

A fábula poderia ser dita para aqueles homens que, por seus benfeitores, são castigados maltratarem pelos deuses.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 166