Fedro 3.16

A cigarra e a coruja

Quem não se ajusta à boa convivência

sofre muitas vezes as punições da soberba.

Uma cigarra fazia um estridente barulho

a uma coruja acostumada a procurar alimento nas trevas

e a pegar no sono durante o dia no oco de um galho. 5

Foi solicitada a que se calasse. Mais fortemente

começou a gritar. Novamente instada com seu rogo,

inflamou-se ainda mais. A coruja, quando viu que para si

nenhum socorro havia e menosprezadas suas palavras,

dirigiu-se à gritona com este ardil: 10

“Porque não me deixam dormir os teus cantos,

que julgarias que é a cítara de Apolo que soam,

tenho a intenção de beber este néctar, que Palas me

presenteou há pouco; se não tens fastio, vem;

bebamos juntas”. Aquela, que ardia de sede, 15

ao mesmo tempo que se inteirava de que sua voz era louvada,

voou avidamente. A coruja, saindo de sua toca,

perseguiu a temerosa e lhe deu a morte.

Assim, morta, concedeu o que tinha negado viva.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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