A cigarra e a coruja
Quem não se ajusta à boa convivência
sofre muitas vezes as punições da soberba.
Uma cigarra fazia um estridente barulho
a uma coruja acostumada a procurar alimento nas trevas
e a pegar no sono durante o dia no oco de um galho. 5
Foi solicitada a que se calasse. Mais fortemente
começou a gritar. Novamente instada com seu rogo,
inflamou-se ainda mais. A coruja, quando viu que para si
nenhum socorro havia e menosprezadas suas palavras,
dirigiu-se à gritona com este ardil: 10
“Porque não me deixam dormir os teus cantos,
que julgarias que é a cítara de Apolo que soam,
tenho a intenção de beber este néctar, que Palas me
presenteou há pouco; se não tens fastio, vem;
bebamos juntas”. Aquela, que ardia de sede, 15
ao mesmo tempo que se inteirava de que sua voz era louvada,
voou avidamente. A coruja, saindo de sua toca,
perseguiu a temerosa e lhe deu a morte.
Assim, morta, concedeu o que tinha negado viva.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.