Fedro 2.6

A águia e a gralha

Contra os poderosos ninguém está suficientemente protegido;

mas se se acrescenta um conselheiro maléfico,

tudo aquilo que a força e a maldade atacam desmorona.

Uma águia levou para o alto uma tartaruga.

Como esta tivesse escondido o corpo em sua casa cascosa 5

e, oculta, não pudesse de nenhum modo ser ferida,

veio pelos ares uma gralha e, voando perto, [disse]:

“Sem dúvida apanhaste com as garras uma magnífica presa;

mas se eu não mostrar o que deve ser feito por ti,

ela te cansará em vão com seu grande peso.” 10

Tendo-lhe sido prometida uma parte, persuade-a

a lançar do alto do céu sobre o rochedo o duro casco

e, com ele despedaçado, comer facilmente o alimento.

A águia, induzida por essas palavras, obedeceu aos conselhos

e logo repartiu generosamente a refeição com a mestra. 15

Assim, aquela que tinha sido protegida pelo dom da Natureza,

sozinha contra duas, morreu triste morte.

Como citar este documento:FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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