A pulga e o homem
Certa vez uma pulga molestava um homem, mas eis que ele a apanha e lhe diz aos berros: “Quem é você, que me consome os membros todos, dando-me picadas a torto e a direito?”. Ela grita: “É a nossa vida, não me mate. Pois um grande mal não sou capaz de fazer”. E, rindo, o homem lhe disse em resposta: “Já, já você estará morta entre meus dedos, pois todo mal, seja ele grande ou pequeno, não convém jamais que vire realidade”.
A fábula mostra que o homem mau não merece piedade, ainda que ele seja grande ou pequeno.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 437