Esopo 312

A pulga e o boi

Certa vez uma pulga perguntou ao boi: “Por que sofrer dia após dia como servo dos homens, se você é assim tão corpulento e corajoso? Ao contrário de você, eu dilacero o corpo humano sem dó e bebo com avidez seu sangue”. E o boi respondeu: “Não sou ingrato à raça humana, pois deles recebo estima e agrados fora do comum, e constantemente eles me afagam a testa e o dorso”. E ela: “Mas esse afago que você acha gostoso se torna deplorável para uma desgraçada como eu, quando calha de eles me apertarem!”.

[A fábula mostra] Que os que dizem gabolices são refutados até pelos simples.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 436

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