A cauda e o corpo da cobra
Certa vez, a cauda de uma cobra achou que o certo era ela se pôr à frente do corpo e ser a primeira a andar. Então os outros membros disseram: “Como é que você vai nos conduzir, se não tem olhos nem nariz, como os outros animais?”. Mas não conseguiram convencê-la e, por fim, o bom senso foi derrotado. A cauda assumiu o comando e se pôs a guiar o corpo inteiro, arrastando-o às cegas, até que caiu num precipício rochoso. A cobra machucou a espinha e o corpo todo. Então a cauda, sacudindo-se, suplicou à cabeça: “Salve-nos, patroa, por favor. Fiz mal em tentar competir com você”.
Homens ardilosos e perversos que se revoltam contra os patrões a fábula censura.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 148