O corvo e a raposa
Estava um corvo pousado com um queijo preso no bico,
quando uma raposa, cobiçando o queijo, matreira
logrou o pássaro com um palavreado assim:
“Ó corvo, tuas asas são belas, teu olhar é penetrante
e teu pescoço é digno de ser visto. Ostentas um peito de águia! 5
Com tuas garras, sobre todos os animais prevaleces.
Tu, um pássaro de tal porte, és mudo e não crocitas!”
O corvo, tocado no coração pelo encômio,
soltou da boca o queijo e ficou a emitir gritos.
E a espertalhona agarrou o queijo e com língua ferina 10
disse: “Tu não eras mudo! Ao contrário, tens voz!
Tens, ó corvo, tudo, tudo; só te falta juízo!”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]