Esopo 310

Prometeu e os homens

Por ordem de Zeus, Prometeu criou os homens e os bichos. Mas, quando Zeus viu que os animais irracionais eram bem mais numerosos, mandou Prometeu eliminar alguns deles, transformando-os em seres humanos. Prometeu cumpriu a determinação e o resultado foi que aqueles que não foram no início criados como homens têm forma humana, mas almas bestiais.

A fábula reprova o homem irascível e bestial.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 434

Esopo 313

A pulga e o homem

Certa vez uma pulga molestava um homem, mas eis que ele a apanha e lhe diz aos berros: “Quem é você, que me consome os membros todos, dando-me picadas a torto e a direito?”. Ela grita: “É a nossa vida, não me mate. Pois um grande mal não sou capaz de fazer”. E, rindo, o homem lhe disse em resposta: “Já, já você estará morta entre meus dedos, pois todo mal, seja ele grande ou pequeno, não convém jamais que vire realidade”.

A fábula mostra que o homem mau não merece piedade, ainda que ele seja grande ou pequeno.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 437

Esopo 379

Zeus e o tonel de bens

Zeus deixou com um homem um tonel, no qual havia guardado todos os bens. Mas o homem enxerido, querendo saber o que havia lá dentro, moveu a tampa e todos os bens alçaram voo rumo aos deuses.

[A fábula mostra] Que só a esperança convive com os homens, prometendo-lhes conceder os bens que escaparam.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 539

Esopo 381

Zeus, os animais e os homens

Dizem que os animais foram a primeira criação de Zeus, que os agraciou, um com a força, outro com a rapidez, outro com asas. Então, disse o homem, que ainda estava nu: “Fui o único a não receber nenhuma graça!”. O deus lhe respondeu: “Você é insensível à sua dádiva, apesar de ter sido agraciado com a maior de todas, pois recebeu a razão e a mantém sob seu controle. A razão é poderosa entre deuses e homens, mais poderosa que os poderosos e a mais rápida dentre os super-rápidos”. Foi então que o homem, cônscio de sua dádiva, agradeceu ao deus, reverenciando-o, e foi embora.

[A fábula mostra] Que, embora todos os homens tenham sido honrados da parte do deus com a razão, alguns demonstram insensibilidade para tal espécie de honra e preferem invejar os animais insensíveis e irracionais.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 541