Esopo 19

O assassino

Um assassino pôs-se a fugir, perseguido pelos parentes da vítima. Ao chegar às margens do rio Nilo, um lobo investiu contra ele. Apavorado, subiu numa árvore e se escondeu ali, quando avistou uma serpente avançar em sua direção. Deixou-se, então, cair no rio e foi devorado por um crocodilo.

A fábula mostra que para homens malditos não há lugar seguro nem na terra, nem no ar, nem na água.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 56

Esopo 33

O burro doente e o lobo médico

Em visita a um burro adoentado, um lobo começou a apalpar o corpo dele, ao mesmo tempo que indagava quais partes doíam mais. E respondeu o burro: “Essas que você está apalpando”.

Assim, os homens maus, ainda que deem a impressão de ajudar, só prejudicam.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 74

Esopo 50

O burro, o corvo e o lobo

Um burro com uma ferida no lombo pastava num prado, quando um corvo pousou sobre ele e ficou dando bicadas na ferida. Enquanto o burro zurrava e saltava de dor, o burriqueiro, parado a uma certa distância, dava risada. Nisso, passava por ali um lobo, que, ao ver a cena, disse para si: “Pobres de nós! Se dermos uma única espiada, somos perseguidos, ao passo que o corvo ganha sorrisos”.

A fábula mostra conhecidos mesmo que os homens malfeitores são à distância.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 94

Esopo 55

O cabrito e o lobo flautista

Um cabrito que ficou por último atrás do rebanho estava sendo perseguido por um lobo. Então ele se virou para o lobo e disse: “Lobo, estou conformado em ser sua comida. Mas, para que eu não morra de forma indigna, toque flauta para eu dançar”. E o lobo se pôs a tocar flauta e o cabrito, a dançar. Entretanto, os cães o ouviram e saíram no encalço do lobo. Então este se voltou e disse ao cabrito: “Isso é bem feito para mim, pois eu, que sou magarefe, não devia me pôr a imitar um flautista”.

Assim, aqueles que praticam uma ação sem levar em conta as circunstâncias perdem até o que têm em mãos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 103

Esopo 56

O cabrito em cima da casa e o lobo

Postado no alto de uma casa, um cabrito viu um lobo passar por ali e se pôs a dizer-lhe injúrias e zombarias. Então o lobo disse: “Ei, meu caro, não é você que me injuria, mas o lugar onde você está!”.

A fábula mostra que as circunstâncias favorecem o atrevimento contra os mais fortes.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 105

Esopo 62

O caçador e o lobo

Ao ver um lobo atacando o rebanho e dilacerando o maior número de ovelhas que podia, um caçador o apanha por meio de um bom ardil, atiça os cães contra ele e, em seguida, lhe vocifera: “Ô, bicho ordinário, cadê sua força de antes? Você não está sendo capaz de nem mesmo enfrentar os cães!”.

Essa fábula mostra que todo ser humano alcança renome graças à habilidade que lhe é peculiar.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 115

Esopo 67

O cão adormecido e o lobo

Um cão dormia diante de um estábulo quando um lobo o avistou e, depois de agarrá-lo, estava pronto para comê-lo, mas ele começou a implorar ao lobo que não o sacrificasse naquele momento. “Agora”, disse ele, “estou magro e mirrado. Mas meus donos estão para realizar uma festa de casamento e, se você me deixar livre agora, no futuro estarei mais gordo para você me devorar.” O lobo se convenceu e o soltou. Alguns dias depois ele voltou e encontrou o cão dormindo no alto da casa. Então ele parou e falou para o cão descer, lembrando-o do compromisso. O cão respondeu: “Mas se você, lobo, me vir dormindo de novo diante do estábulo, não mais aguarde casamento!”.

Assim, os homens sensatos, quando se safam de algum perigo, resguardam-se dele no futuro.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 121

Esopo 73

O cão que perseguia um lobo

Enquanto afugentava um lobo, um cão fremia, orgulhoso, da rapidez de suas patas e de seu próprio vigor, achando que o lobo fugia devido a alguma fraqueza que lhe era peculiar. Foi então que o lobo se voltou e disse ao cão: “Não é de você que tenho medo, mas da investida de seu dono”.

Essa fábula mostra que não se deve enfunar-se com a nobreza dos outros.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 127

Esopo 196

O lavrador e o lobo

Um lavrador desatrelou sua junta de bois e levou-a para beber água. Nisso, um lobo faminto, que estava à procura de comida, topou com o arado, começou a lamber o jugo dos bois e, aos poucos, sem se dar conta, acabou enfiando o pescoço nele. Em seguida tentou se desvencilhar, mas não conseguiu, e foi arrastando o arado pela plantação. E o lavrador, quando retornou, disse, ao vê-lo: “Ó, cabeça malvada, quem dera você abandonasse as pilhagens e os danos e pendesse para a lavoura!”.

Assim, os homens perversos, ainda que alardeiem ações utilíssimas, não merecem crédito devido a seu caráter.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 291

Esopo 200

O leão doente, o lobo e a raposa

Um velho leão jazia doente estirado numa gruta. Todos os animais fizeram uma visita ao rei, menos a raposa. Foi então que o lobo aproveitou a chance de denunciá-la ao leão, dizendo que ela não tinha a menor consideração por aquele que exercia a autoridade sobre todos os animais e, por isso, não vinha visitá-lo. Mas, justo nesse momento, foi chegando a raposa, que ouviu as palavras finais do lobo. O leão, por conseguinte, começou a rugir para ela. A raposa, no entanto, pediu uma oportunidade de defesa e disse: “E, dentre esses que se reuniram aqui, quem foi que se preocupou com você tanto quanto eu, que andei por toda parte procurando saber dos médicos um tratamento para você e acabei encontrando?”. E, como o leão a mandasse dizer sem demora qual era o tratamento, ela falou: “É só esfolar um lobo vivo e envolver-se com a pele dele ainda quente”. E o lobo, imediatamente, jazeu morto. Então a raposa disse, a rir: “Assim, não se deve instigar o chefe à hostilidade, mas à benevolência!”.

A fábula mostra que aquele que maquina contra os outros reverte para si próprio a maquinação.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 295