Fedro 4.13

Dois homens, o mentiroso, o sincero e os macacos

Nada é mais útil para o homem do que falar com franqueza.

Essa sentença deve ser, na verdade, aprovada por todos;

mas a sinceridade costuma ser conduzida para a desgraça.

(segue paráfrase em prosa)

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Fedro 3.4

O açougueiro e o macaco

Um sujeito viu um macaco pendurado num açougue

entre as demais mercadorias e alimentos;

Ele perguntou que gosto tinha. Então o açougueiro, brincando,

diz: “Garante-se que seu sabor é tal qual sua cabeça”.

Avalio que esse dito é mais gracioso do que verdadeiro; 5

pois muitas vezes encontrei homens formosos péssimos

e conheci muitos ótimos de fisionomia feia.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Bábrio 1.35

Os filhotes da macaca

São dois filhotes que a macaca põe no mundo,

mas após o parto não é mãe igual para ambos.

Um deles, sob efeito de infeliz predileção,

ela sufoca, empolgada, em selvagens abraços,

e o outro ela rejeita, por supérfluo e inútil. 5

E esse vai para a solidão e sobrevive.

         Tal é o comportamento de tantos homens;

desses, torna-te sempre antes inimigo do que amigo.

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

Fedro 1.10

O lobo e a raposa com o macaco como juiz

Todo aquele que se tornou famoso uma vez por uma torpe mentira,

mesmo que diga a verdade, perde o crédito.

Atesta isso uma breve fábula de Esopo.

Um lobo acusava uma raposa pelo crime de furto;

ela negava ter relação com a culpa. 5

Então o macaco se sentou entre eles como juiz.

Depois que um e outro defenderam sua causa,

diz-se que o macaco pronunciou a sentença:

“Tu não pareces ter perdido o que pedes;

quanto a ti, creio que roubaste o que negas lindamente”. 10

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 81

O camelo, o elefante e o macaco

Estavam os animais irracionais decidindo a eleição de um rei, quando se apresentaram como candidatos um camelo e um elefante, esperançosos de serem os preferidos entre todos, por causa da força e da estatura de seus corpos. Todavia, um macaco disse que ambos eram inadequados: o camelo, porque não se irritava com os injustos, e o elefante, porque temia que um leitão, do qual ele tem pavor, viesse atacá-los.

A fábula mostra que até os empreendimentos muito importantes frequentemente se embaraçam, por causa de um pequeno detalhe.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 135

Esopo 148

O golfinho e o macaco

Os navegantes têm o costume de levar cães malteses e macacos para distraí-los na viagem. Assim, uma pessoa que saía para navegar, trouxe consigo um macaco. Mas, quando chegaram perto do Súnion, o promontório da Ática, desabou uma violenta tempestade. O navio naufragou e, como todos se puseram a nadar, o macaco também mergulhou. Então um golfinho o avistou e, julgando que ele fosse um homem, colocou-se sob ele e, após emergir, carregou-o pelo mar. Quando estavam próximos do Pireu, o porto dos atenienses, o golfinho perguntou ao macaco se ele era ateniense de origem. O macaco respondeu que sim, e que era de família ilustre. Depois o golfinho perguntou-lhe se também conhecia o Pireu. E o macaco, achando que ele estava se referindo a um homem, respondeu que sim, e disse que o Pireu era seu amigo íntimo. Então o golfinho, indignado com esse disparate, deu um mergulho e o afogou.

A fábula é oportuna para homens mentirosos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 224

Esopo 246

O macaco e a camela dançarinos

Numa reunião de animais irracionais, um macaco se levantou e se pôs a dançar. E, como estava agradando e todos apontavam para ele, uma camela ficou enciumada e quis alcançar o mesmo sucesso. Então, levantou-se e tentou dançar também. Mas, como ela executava movimentos extravagantes, os animais perderam a paciência e a expulsaram a porretadas.

A fábula é oportuna para os invejosos que rivalizam com os superiores e, por conseguinte, se dão mal.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 354

Esopo 247

O macaco e os pescadores

Um macaco, empoleirado no alto de uma árvore, avistou pescadores à beira do rio lançando a rede e ficou observando o que é que eles faziam. E assim, quando eles recolheram a rede e se afastaram dali para comer os peixes, o macaco desceu da árvore e tentou lançar a rede, pois dizem que esse animal é imitador. Ao manejar as redes, porém, ficou preso. Então ele disse para si: “Mas é bem-feito para mim! Por que é que eu, que não sei pescar, me meti a fazer isso?”.

A fábula mostra que pôr-se a fazer coisas que não convém é não só inútil como também danoso.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 355

Esopo 248

O macaco eleito rei e a raposa

Numa assembleia de animais irracionais, um macaco teve bom acolhimento e foi eleito rei por aclamação. Uma raposa, porém, sentiu inveja e, quando viu uma porção de carne deixada numa armadilha, levou o macaco até lá, alegando que havia encontrado um tesouro, do qual ela própria não fizera questão, mas o havia preservado para ele, como presente régio, e exortou-o a pegá-lo. O macaco, despreocupadamente, se aproximou e foi apanhado pela armadilha. E, depois, ficou acusando a raposa de ter-lhe preparado uma cilada. Ela respondeu: “Pois você, macaco, que é tão ingênuo assim, é o rei dos animais?”.

Assim, aqueles que empreendem tarefas irrefletidamente, além de fracassarem, são alvos de zombaria.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 356

Esopo 331

A raposa e o macaco que rivalizavam em nobreza de linhagem

Uma raposa e um macaco iam por um mesmo caminho e travaram uma discussão para ver quem era de linhagem mais nobre. Cada um deles já havia feito muitos relatos, quando chegaram a um local onde havia alguns túmulos. O macaco, assim que bateu o olho neles, começou a gemer. Como a raposa quis saber o motivo dos suspiros, o macaco, apontando as sepulturas, respondeu: “Como não chorar, se vejo as sepulturas dos escravos e dos libertos dos meus antepassados?”. E ela replicou: “Pode mentir à vontade, pois nenhum deles vai ressuscitar para desmentir você!”.

Assim, também, os homens mentirosos proferem ainda mais fanfarronices quando não têm refutadores.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 469