Esopo 337

O ricaço e as carpideiras

Um homem rico tinha duas filhas. Quando uma delas morreu, ele contratou carpideiras. Então, a outra filha disse à mãe: “Somos umas coitadas! Nós, que padecemos a dor, não sabemos prantear, enquanto elas, que nem são parentes, estão se batendo e se debulhando em lágrimas”. A mãe respondeu: “Mas não se admire, filha, se o pranto delas é tão comovente. É por dinheiro que estão fazendo isso!”.

Assim, certos homens, por amor ao dinheiro, não hesitam em empreitar até as desditas alheias.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 476

Esopo 338

O ricaço e o curtumeiro

Um homem rico se tornou vizinho de um curtumeiro e, como não podia suportar o fedor, vivia pedindo a ele que se mudasse dali. Mas o curtumeiro sempre o engambelava, dizendo que iria se mudar em breve. A coisa se repetiu várias vezes. Por fim, sucedeu que o ricaço, com o passar do tempo, se habituou ao odor e não mais importunou o curtumeiro.

A fábula mostra que o hábito suaviza até as tarefas complicadas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 477