Fedro 1.4

O cão levando um pedaço de carne por um rio

Perde merecidamente o próprio quem cobiça o alheio.

Um cão, levando a nado por um rio um pedaço de carne,

viu no espelho das águas a sua própria imagem

e, julgando ser outra presa levada por um outro,

quis arrebatá-la; mas sua avidez foi enganada: 5

e deixou cair o alimento que trazia na boca,

e não pôde, é claro, pegar o que desejava.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 258

O menino que estava tomando banho no rio

Certa vez um menino tomava banho no rio e estava quase se afogando, quando viu um viandante e o chamou em socorro. Ele, porém, repreendeu o menino, por seu comportamento abusado. Então o rapazinho lhe disse: “Mas, agora, trate de salvar-me e, depois, quando eu estiver a salvo, repreenda-me!”.

A fábula vale para aqueles que dão pretexto para receber tratamento injusto.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 369

Esopo 339

O rio e a pele curtida

[A fábula mostra] Que uma desventura da vida joga por terra o homem audacioso e arrogante.

Um rio perguntou a uma pele de boi que estava sendo levada por suas águas: “Como você se chama?”. “Eu me chamo Rija”, respondeu ela. E, lançando sobre a pele seu fluxo aos borbotões, o rio disse: “Procure outro nome, pois já vou fazer você ficar mole”.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 478

Esopo 340

Os rios e o mar

Os rios formaram uma comitiva e foram até o mar fazer uma queixa, dizendo assim: “Quando entramos em suas águas, somos água doce e potável, mas você nos converte em água salgada e intragável. Por quê?”. E o mar, vendo que eles o repreendiam, replicou: “Ora, não venham e não fiquem salobres!”.

Esta fábula representa aquelas pessoas que responsabilizam os outros inoportunamente, mesmo que deles estejam recebendo uma ajuda.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 479