Fedro 2.6

A águia e a gralha

Contra os poderosos ninguém está suficientemente protegido;

mas se se acrescenta um conselheiro maléfico,

tudo aquilo que a força e a maldade atacam desmorona.

Uma águia levou para o alto uma tartaruga.

Como esta tivesse escondido o corpo em sua casa cascosa 5

e, oculta, não pudesse de nenhum modo ser ferida,

veio pelos ares uma gralha e, voando perto, [disse]:

“Sem dúvida apanhaste com as garras uma magnífica presa;

mas se eu não mostrar o que deve ser feito por ti,

ela te cansará em vão com seu grande peso.” 10

Tendo-lhe sido prometida uma parte, persuade-a

a lançar do alto do céu sobre o rochedo o duro casco

e, com ele despedaçado, comer facilmente o alimento.

A águia, induzida por essas palavras, obedeceu aos conselhos

e logo repartiu generosamente a refeição com a mestra. 15

Assim, aquela que tinha sido protegida pelo dom da Natureza,

sozinha contra duas, morreu triste morte.

Como citar este documento:FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Esopo 348

A tartaruga e a águia

Ao avistar uma águia voando, uma tartaruga sentiu vontade de voar também. Então, ela foi ao encontro da águia pedir-lhe encarecidamente que a ensinasse a voar, mediante um pagamento. A águia lhe respondeu que era impossível, mas mesmo assim a tartaruga insistiu, dizendo que o pedido era legítimo. A águia, então, ergueu a tartaruga do chão, levou-a para o alto e soltou-a. Ela despencou sobre uma rocha, onde se estatelou e morreu.

A fábula mostra que muitos homens, no afã de competir com os mais sensatos, saem prejudicados por não lhes terem dado ouvidos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 495

Esopo 349

A tartaruga e a lebre

Uma tartaruga e uma lebre queriam disputar para ver quem era mais veloz. Então, fixaram um tempo e um percurso e deram a largada. A lebre, ligeira por natureza, encarou a corrida com displicência e, deitando-se à margem do caminho, adormeceu. E a tartaruga, consciente de sua própria lentidão, não parou de correr. Assim, ultrapassou a lebre, que ficou dormindo, e alcançou o prêmio da vitória.

A fábula mostra esforço vence uma natureza relapsa.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 496

Esopo 376

Zeus e a tartaruga

Quando Zeus se casou, ofereceu um banquete a todos os animais. Só a tartaruga deixou de comparecer. E ele, com dificuldade de encontrar uma explicação para sua ausência, perguntou-lhe por que só ela não tinha ido ao jantar. Então, ela disse: “Casa da gente, casa excelente!”. Zeus ficou zangado e determinou que ela andaria por toda parte carregando a própria casa.

Assim, muitos homens preferem morar com simplicidade a receber tratamento de luxo em casa alheia.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 535